domingo, 6 de dezembro de 2009

O adorador de abismos


Na arte de viver sou amador.
Daquele tipo que vive na eminência do fim
fazendo valer todos os segundos do tempo,
como se cada momento fosse o último.

Sim, sou amador!
amo tudo em demasia,
como se precisasse guardar a lembrança do mundo
no final de cada dia.

Como se dessa maneira pudesse adiar a despedida,
como se fosse possível enganar a morte.

Assim à muitos anos meu ritual se faz
no culto das memórias vivas à beira do abismo.

Meu templo é o limite da existência
e é nesse lugar que pago minha penitência
fazendo diariamente minhas ultimas preces
e acabando que sempre vendo um novo amanhecer.

Como se a morte alterasse seus planos
pra me ver correndo atrás da vida na alvorada seguinte,
como se ela, a morte, tivesse esperanças
de me ver completo na experiência humana.

Um comentário:

Tatiana Monte disse...
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