quarta-feira, 18 de abril de 2007

A peste

Há uma peste no ar, há algo fetido.
Se espalha e coagula o pensamento,
transforma os sonhos em poeira
e te entrega a realidade crua e servil

Torna-te sensato e louco ao mesmo tempo,
o faz resistênte a dor,
faz-te esquecer o amor
e comandar o corpo como um saco vazio.

Há uma peste no cio,
nos ensinando a ser modelo,
a ser modelado,
a ser vendido e a ser comprado.

Há algo de estranho
consumindo quem não tem defesa,
reafirmando o predador, como predador
e a presa, como simples presa.

Que praga é essa?
Que põe cada qual no seu lugar,
Que nos faz esquecer os valores
e tornar-nos corrompiveis.

Que peste é essa,
da qual não podemos fugir,
e se tentamos acabamos invisiveis
e condenados a uma falsa insensatez.

Há até aqueles que pensam estar livres,
aqueles que pensam ser portadores da cura,
Mas a peste é camuflada
e se faz necessária a todo tipo de gente, até quem não à quer.

Pois a peste
mora no nosso desejo
e termina a paz e a guerra
com um simples beijo.

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