quarta-feira, 2 de junho de 2010

Enigma-Palavra

Meu adverso está contido
em grandes parágrafos de luta

e o resultado é um estribilho
marcado pela dor e pela alegria

Frases de melodia atonal
são elementos do jogral que invento
contra a gramática européia

A identidade do poema
traz na derme o dilema cultural
a filosófica onomatopéia

Pois nem sei quem mais sou
na equação viciada:
Negro-índio-Carapálida

A retórica intrínseca vem como ingua
e denuncia no grito
a malandragem da língua

No meu dialeto a verdade como interrogação:
-Tudo que é desvendado não exclui
a possibilidade da ilusão!

3 comentários:

Maria Helena disse...

Loko!
Gostei Dani!
Tudo que vc escreve é muito bom!
Beijão

Camila Trindade disse...

Não sei quem eu sou nem quem são os outros.. Será que não me reconheço nas desilusões que o mundo esbanja? Esta minha pele estranhamente pardeada, minha certidão preconceituosamente branqueada e minha identidade portadora de um 3x4 que denuncia meus cabelos e beiços essencialmente negros... Será tudo o resumo da constatação de que o tal "quem sou eu" é um dilema repleto de discursos requentados? Enfim, acredito ser a africanitude na branquitude da minha indianidade. Ser o adverso do contexto, o oposto, a exclusão. Toda a sangria gerada nessa fusão. Sins repleto de nãos. A impossibilidade... E a ilusão.

Parabéns, Daniel. Realmente um belíssimo texto.

Tatiana Monte disse...

Me perdi entre as minhas utopias!!! estou afogada nos meus sonhos.....
me encontro e me perco...
mas to em um caminho
que caminho?
não sei