terça-feira, 5 de outubro de 2010

Educa Dor

As vezes parece que estou do lado errado,

pois por muitas vezes não sou o educador,

mas sim o educado

 

Sem ponderações meu coração irracional exclama:

Tá tudo errado, tá tudo misturado…

A minha dor, a dor do outro, a dor do mundo

E eu à educar a dor

 

…aquela dor presente no excesso de trabalho,

na descrença da criança, na falta de afeto

Aquela dor sem graça que matou a esperança

 

Insitentemente, a minha dor a sua dor,

A nossa dor ensaia a dança

Olhares perdidos aprendendo a se encontrar

 

E no buraco da máquina o olho cego descansa,

E vai mirando a paisagem, revigorando a lembrança

 

A velha rua de terra, a barraca de pastel, a fresta do tijolo…

Eu me vendo nesse bolo, eu olhando no seu olho

E no encontro das retinas o horizonte dilatando

 

Novas versões da minha história na memória recriando

No contato barato, o tato faz pensar, dá luz a criação

E a camera, cadela vira-lata, passava de mão em mão

parindo imagens à despeito da condição

 

Olhares gritando a emergência do pensamento confuso

A realidade, o sonho, o abuso!

Tudo junto em profusão…

 

A teoria, a decadência, a instituição!

A sacrosanta esquisofrênia que deseduca, hierarquiza

e nos indica o eterno amém

 

Pergunto:

 

Quem educa quem?

Um comentário:

Tatiana Monte disse...

Ensinar- ME
Não há nenhum Encontro - aula - que não seja mediado pela realidade social dos meus alunos!
Ao mesmo tempo que a bagagem deles é essencial para criação artística, também é fonte limitadora das descobertas!
Quem educa realmente?