sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Explicação

Por que explicar se o ser humano não tem explicação?!
E se a explicação não é nada e nada tem explicação.
Por que explicar quando não há atenção?!

Por que explicar a própria explicação?!
Já que explicar-se não é uma missão e sim uma cortesia.
Por que explicar o que nunca se explicaria?!

Pra que insistir na explicação,
do amor, da compaixão e até mesmo da felicidade?!
Considerando que a explicação nem sempre é uma verdade.

É na real como dia de natal
ou um pedaço de papel, um sol poente e um chapéu.
A sorte, a morte, é assim como quando paramos pra discutir a vida,

quando lembramos da pessoa querida,
como num sonho entre as margaridas...

Se assim fizer-se quem sabe um dia explicaremos a mulher,
o homem, a existência dos dinossauros, a queda de uma ave?!

Mas isso só até que o mundo acabe
e assim sendo não teremos explicação de mais nada,
a não ser de nós mesmos...

De passagem...

Aqui estou eu " o passageiro",
vendo a vida em traveling constante
o motorista no volante
e eu atrás com o povo amontoado.

Restos de vida num corpo cansado,
frutos do dia-a-dia esgotados pela rotina
esta é a sina do trabalhor
que mal conhece a mais valia que engorda o explorador.

Esta é a sina de quem corre
pra chegar em lugar nenhum,
pois aqui só estão pagando a passagem.

Arte-ficial


Desculpe-me Gessinger,
mas hoje eu também vou alçar voô além dos outdoors.
ganharei o céu com as 12 molas do meu nike,
superando Spike Lee numa cena mais que cinematográfica.

Além da teoria, sem ciência e sobrepondo a prática,
descobrirei novas realidades,
vomitando verdades cristãs
nas praças de alimentação dos shoping center's.

Jurando eterno amor
ao código de defesa do consumidor,
deletando e dando enter
nas informações que mais ocupam minha mente.

Colocarei a mostra
meu "smile" amarelado,
como um produto prestes a ser comprado
na prateleira do supermercado.

Por fim morrerei enlatado
pra que no paraíso de sua casa
meu corpo seja violado,
alimentando sua família e alterando seu estado.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Mita




Hoje a mulher do mito rasgou verbo
e com o verbo sangrando pois a história em seu lugar.
Cerrou o lábio do sábio opressor
e quis amor não mita como pagamento.

O colonizador chorou no colo materno,
que era a própria vida castigando quem sempre esteve à machucar.
Ecoou o grito da mulher que rompia com a vivência da dor
e quis liberdade pra a ação e pensamento.

Mas eis que o bruto produto interno
sumo do enorme ego de quem quer apenas acumular,
sacrificou a existência por não suportar o vencedor.
Enfim nem o mito nem a terra estavam preparados para tal advento.

A queda


Cósmico o ser sem alma transcende a forma
e envolve o universo, o verso jogado na lama,
acorporal como quem se deita numa cama de pregos.
Rasgado, o véu dos sonhos trasnforma o voô em realidade.

A bela, a fera, a paz e a guerra unidos numa mesma verdade.
Comuns e diferentes, contraditórios e incostantes.
O sangue é apenas o instante em que meu olhar encontra o teu. E é assim que te tornas o que já não era,

Os homens são do ar, as mulheres são da terra.
Completos e incompletos,
a forma plena de quem ama,
Zeus e Pachamama.

Desejo

Sangue, desejo, concreto.
O mato, a lama, o ferro.
O berro, o sonho, o tesão.
A viril forma, o vírus profano, a intensão.

Caos, beleza, fogo fátuo.
O falo imponente, a sensação ardente em meio ao vácuo.
O tudo e o nada, a mentira e a verdade,
o cio, a cidade, cidade.

Frio

Minha pele repele tal incandescência.
A morbidez que faz morada em ti,
não atrai minha clemência.

Quem prolifera tua mentira
é açoitado por sensações de falso bem estar.
Quem se atira em teus abismos
não por vontade quer calar.

Não tens o sentimento natural,
respeito o inverno
e não seu terno informal.

Isso que vive dentro de sua escravidão
não aceita minha calma.
É fraquesa que não compete
a força de meu verão.